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Justiça mantém condenação de homem que torturou funcionário em Canoas

Um caso de extrema violência registrado em Canoas, na Região Metropolitana, teve desfecho na Justiça pouco mais de um ano após o crime. O episódio ocorreu em 22 de março de 2025 e envolveu um trabalhador de 49 anos que foi torturado e mantido em cárcere privado por cerca de oito horas pelo próprio empregador.

Foto: Canoas 24 horas 

De acordo com as informações da investigação, o funcionário de um ferro-velho foi acusado de roubo pelo patrão, um homem de 44 anos, e acabou sendo submetido a agressões brutais. Durante o período em que esteve acorrentado, a vítima foi obrigada a arrancar o próprio dedo com um alicate, além de sofrer queimaduras, perfurações e outras formas de violência.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou, nesta semana, a condenação do acusado. Ele foi sentenciado a 14 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelos crimes de tortura e apologia ao crime, já que gravou as agressões. A defesa do condenado não foi localizada até o momento, e o espaço segue aberto para manifestação.

Sequelas e rotina após o crime

A família da vítima relata que as consequências do crime seguem presentes no dia a dia. Segundo a esposa do trabalhador, a condenação não ameniza o sofrimento vivido desde então.

Ela afirma que o homem nunca se recuperou completamente e ainda enfrenta sequelas irreversíveis, além de realizar tratamento psicológico. Após o caso, o casal deixou Canoas, e a vítima sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no ano passado, passando a necessitar de cuidados especiais.

“A nossa vida nunca mais foi a mesma. A gente não vive desde então, apenas sobrevive”, desabafa.

Violência extrema marcou o caso

A investigação apontou que o crime teve início após um desentendimento envolvendo dinheiro. O trabalhador foi acorrentado e submetido a uma série de agressões, incluindo queimaduras com maçarico, perfurações com furadeira e água fervente jogada sobre o corpo. O momento mais grave ocorreu quando foi forçado a mutilar o próprio dedo para não ser morto.

Após horas em cárcere, a vítima conseguiu escapar e buscar socorro, sendo levada ao hospital. A Polícia Civil prendeu o suspeito dois dias depois.

Investigação reuniu provas em vídeo

O caso foi investigado pela Delegacia de Polícia de Canoas. Segundo o delegado responsável pela apuração, as denúncias foram confirmadas por vídeos gravados pelo próprio agressor.

As imagens estavam armazenadas no celular do suspeito e registravam toda a violência praticada. No local do crime, também foram apreendidas ferramentas com vestígios de sangue, incluindo o alicate utilizado na mutilação.


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