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Comissão da Assembleia debate cortes salariais de professores após greve em Canoas

Professores da rede municipal de Canoas levaram à Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado da Assembleia Legislativa denúncias sobre descontos expressivos nos salários após a greve da categoria. A reunião ocorreu nesta quinta-feira (18) e abordou as reivindicações dos educadores por melhores condições de trabalho, reposição salarial e a revisão dos cortes aplicados aos servidores que aderiram ao movimento. Parlamentares defenderam a retomada das negociações entre o município e os trabalhadores.

Foto: Kelly Demo Christ

De acordo com as informações da Assembleia Legislativa, a paralisação foi organizada pelo Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) e começou em abril, depois que os servidores rejeitaram a proposta de reajuste parcelado apresentada pela administração municipal e aprovada pela Câmara de Vereadores. O sindicato informou que buscou entendimento com o prefeito Airton Souza para definir um cronograma de compensação dos 23 dias de greve.

Segundo o vice-presidente do Sinprocan, Julio César Santos, os descontos atingiram mais da metade da remuneração de diversos profissionais, chegando a aproximadamente 90% em alguns casos. Conforme o dirigente sindical, houve contracheques com valores entre R$ 18 e R$ 50, quando o salário habitual seria de pelo menos R$ 5 mil. A entidade protocolou um pedido de negociação para que os dias parados sejam compensados, argumentando que, até o momento, a única medida adotada pelo Executivo foi o corte de ponto dos grevistas.

O vereador Gabriel Constantino afirmou que cerca de 400 profissionais da educação tiveram os vencimentos de maio reduzidos. Ele declarou que a categoria está disposta a recuperar os dias não trabalhados, mas criticou a falta de diálogo da prefeitura. Também apontou a ampliação de cargos comissionados e das terceirizações na educação municipal.

O presidente da comissão, deputado Leonel Radde, informou que o colegiado encaminhará um pedido formal à Prefeitura de Canoas para buscar esclarecimentos e incentivar a reabertura das negociações. O parlamentar ressaltou que espera uma solução construída por meio do diálogo, evitando o agravamento do conflito entre a administração municipal e os servidores.

A deputada Sofia Cavedon também defendeu uma nova reunião na próxima semana para tratar do impasse. Ela classificou a situação enfrentada pelos professores como preocupante, criticou a ausência de negociação por parte da gestão municipal e afirmou que a aplicação dos descontos aos trabalhadores que participaram da greve representa uma medida incompatível com o exercício do direito de paralisação.

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